Se preparando para finalizar a elaboração do orçamento de 2018 ?


Alguns pontos que podem fazer a diferença.


Será que teremos outro ano com mais do mesmo?...bem provável que sim e a sobrevivência dos negócios terá espaço para aqueles que aceitem este cenário e foquem na revisão de suas estratégias, tanto no lado do dimensionamento de seus mercados e vendas, como principalmente na redução dos gastos e despesas, nivelamento de estoques, novas tecnologias para se fazer o mesmo gastando menos, enfim a palavra de ordem será o aumento da produtividade através da melhoria nos processos e eficiência operacional e administrativa.


Este requisito não tem sido devidamente explorado em nosso mercado. Temos uma defasagem significativa dos melhores mercados do mundo, seja por limitação e burocracia de leis em vigor, seja por barreiras alfandegárias que ao mesmo tempo que protegem alguns setores, nos impedem de acompanhar as economias mais desenvolvidas, seja pela falta de capital para suportar novos investimentos tanto em infraestrutura como em modernização de nosso parque industrial.


A capacitação, atualização e especialização dos profissionais de forma geral é outra deficiência. É necessário pesquisar, desenvolver e aplicar técnicas, seja em processos ou em ferramentas e sistemas para que as empresas consigam diminuir os níveis de perda e desperdícios em situações que não fazem mais sentido nos dias de hoje.


As grandes corporações, capitaneadas pelas multinacionais, desenvolvem continuamente tecnologias, processos e ferramentas com o intuito de melhorar a produtividade, que implantam em suas subsidiarias locais e as vezes até impõe as mesmas à sua cadeia de suprimentos. Algumas empresas locais são agraciadas e se beneficiam dessa transferência de know-how desenvolvida e testada previamente em outros países.


A grande desigualdade está nas empresas locais, principalmente entre as médias e pequenas, com pouca ou nenhuma conexão com uma cadeia de negócios que envolvam grandes corporações globais, e onde poderiam conseguir algum benchmarking em áreas que tenham deficiências.


Para o próximo ano, que se mostra com um cenário econômico bem similar ao atual, com pequenas nuances, visto que teremos uma taxa de juros inferior, mas um nível de desemprego, capacidade ociosa da indústria e investimentos em infraestrutura sem grandes alterações, exigem uma especial atenção ao ciclo de venda, desde o estabelecimento de limite de crédito e prazo de faturamento até a definição clara e acompanhamento de verbas e comissões incidentes sobre as mesmas que irão dar acuracidade ao horizonte planejado.


Entre as ocorrências que mais geram perdas financeiras, estão as falhas na política de crédito e processos de vendas para clientes sem garantia, ineficiência ou ausência de cobrança de faturas em atraso, faturas com prazo acima do definido pela política, descontos indevidos e pagamentos fora do prazo. Por outro lado, deve-se se certificar de ter processos robustos para evitar a venda para clientes fictícios, baixa indevida de faturas e devoluções de mercadorias sem a devida autorização.


Na cadeia de suprimento, tanto os itens diretos como os indiretos, dependendo da maturidade das políticas de Supply Chain da empresa, devem estar ajustados para que haja otimização dos estoques e capital de giro, evitando o carregamento e financiamento do mesmo, agravado pelo risco de obsolescência.


As perdas se concentram em pagamentos fora do prazo, pagamentos indevidos ou sem documentação suporte, pagamentos em desacordo com a política, descontos obtidos e não usufruídos, pagamentos de mercadorias devolvidas ou serviços não realizados. Aqui também reforço a necessidade de políticas robustas e processos estruturados e eficazes, para coibir e evitar o pagamento de compras superfaturadas, transferências de recursos financeiros indevidos e pagamentos de juros desnecessários.


Contexto Econômico


O contexto econômico nos mostra uma realidade de consolidação dos participantes de vários setores da economia. O crescimento rápido pela aquisição de concorrentes. Um movimento de compra de Market share para aumento na participação ou mesmo entrada em um novo nicho de mercado. Existe a crença de que as empresas grandes, dado o seu alto grau de sofisticação em estruturas financeiras e acesso ao capital, estão fadadas ao sucesso, alta rentabilidade e crescimento, mas ao observarmos outras economias, constatamos que existem milhares de pequenas empresas mundo afora, com agilidade em se adaptar as adversidades e oportunidades de seus mercados – exatamente por serem pequenas, terem processos flexíveis e estruturados e conhecerem bem o seu público alvo. E com produtividade compatível com as grandes corporações, dado o bom nível de governança, seja pela boa formação do grupo diretivo, com conhecimento conceitual, técnico e atualizado do que de melhor se pode fazer pelo negócio ou ainda por contratarem para seus quadros, executivos com as mesmas características, e principalmente, o conhecimento trazido de empresas com alto nível de governança.


Muitas empresas locais foram adquiridas nestes últimos anos, seja pelo sentimento de falta de perspectiva de crescimento econômico dos antigos acionistas, seja pela atratividade do nosso mercado aos olhos das empresas e empresários estrangeiros. Somos um mercado promissor dentro do tabuleiro mundial, com potencial de crescimento e carência de produtos e serviços por grande parte da população. Diversas outras empresas também surgiram, aproveitando novas tecnologias para atender o consumidor. Conta a favor o fato de nossa população jovem estar aberta a estas novas tecnologias, o que justifica o investimento no desenvolvimento destas.


A produtividade destas novas empresas, enxutas e leves, com um time comprometido com o negócio deverá ser o diferencial a ser observado na competividade das empresas. Já se observam diversos “cases” no mercado, incomodando os grandes players, que se mobilizam para patrocinar, adquirir ou financiar esta tendência de empresas de alta tecnologia e bom nível de produtividade, seja para atuar em novos nichos ainda não explorados, seja para atualizar o perfil de seus produtos e negócios.


Difícil será prever a dinâmica como estas demandas serão atendidas. O país tem grandes desafios políticos e econômicos que se espera, terão um caminho definido ao final de 2018. Até lá a palavra de ordem é sobreviver, com processos robustos de governança e esforço continuo no aumento da produtividade. Ficar de olho como se comportam os mercados e tendências em outras economias e regiões, e principalmente não deixar passar nenhuma boa ideia ou tendência sem análise minuciosa para o futuro dos negócios.

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Roberto Lobos

Sócio de Finanças

innovativa - Executivos Associados

roberto.lobos@innovativa.com.br

www.innovativa.com.br

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